Saul Bellow

Novembro 7, 2007 por cachorromolhado

Um dos meus livros preferidos é Herzog do Saul Bellow, que conta a história de um cara angustiado, abandonado pela mulher, que escreve, quase sempre mentalmente, cartas para Deus e o mundo. Consegui esse livro na biblioteca da UEL numa versão original de  mil novecentos e setenta e pouco, desde então procuro por uma versão em português, mas só a encontrei na biblioteca do Centro Cultural São Paulo. Na época, traduzi algumas  das cartas do personagem título:

  

Caro Dr. Scrodinger, Em “What is Life?” você diz que em toda a natureza o homem é o único que hesita em causar dor. Como a destruição é o principal método pelo qual a evolução produz novos tipos, a relutância em causar dor pode ser vista como a expressão da vontade humana de obstruir a lei natural. O cristianismo e suas principais religiões, um milênio curto, com terríveis reiravoltas…  O trem havia parado, a porta já estava fechando quando Herzog  levantou, espreguiçou-se e segurou no corrimão. O trem viajava para fora do centro. No Time Square, o trem ficou vazio e encheu novamente, mas Herzog permaneceu em pé, afinal seria muito difícil chegar à saída a partir de um assento. Agora, onde nós estávamos?  Nos seus comentários sobre entropia… Como os organismos se mantêm contra a morte – em suas palavras, contra o equilíbrio termodinâmico… Sendo uma organização instável de matéria, o corpo trata de nos deixar. Ele nos abandona. Isso é real? É? Não nós! Não eu! Esse organismo, enquanto tem o poder de manter sua própria forma e absorver suas necessidades do meio ambiente, atraindo um fluxo negativo de entropia, a existência, a existência de coisas que ele consome, devolvendo ao mundo os resíduos em formas mais simples. Em estrume, amônia e nitrogênio. Mas a relutância em causar dor se junta à necessidade de devorar… O resultado é uma peculiaridade dos seres humanos, que consiste em admitir e negar o mal ao mesmo tempo, para ter uma vida humana e desumana. Com ingenuidade e ambição. Morder, engolir. Ao mesmo tempo comer e ter dó da comida. Ter sentimentos e, ao mesmo tempo, se comportar brutalmente. Tem sido discutido (e porque não) que a relutância em causar dor é na verdade uma forma extrema, uma deliciosa forma de sensualidade, a luxúria da dor por meio de uma patologia moral…  

Prezados Senhores. O tamanho e o número dos ratos na cidade do Panamá, quando passei por ela, realmente me deixaram atônito. Vi um deles tomando sol ao lado de uma piscina. E outro olhando pra mim do lambris de um restaurante, enquanto eu comia salada de frutas. Também, num fio elétrico que se inclinava dentro de um bananal, vi um grupo inteiro de ratos ir para frente e para trás, com sua colheita. Correram pelo fio vinte vezes ou mais, sem uma só colisão. Minha sugestão é que os senhores ponham, em iscas, produtos químicos para controle da reprodução.  Venenos jamais darão certo (por razões maltusianas: basta reduzir um pouco a população, e ela cresce com ainda mais vigor). Mas muitos anos de contracepção podem eliminar os ratos sem problemas.

 

 

Prezado Sr. Nietzsche. Meu prezado senhor, posso fazer uma pergunta daqui, de minha ínfima posição? Você fala sobre o poder do espírito dionisíaco para resistir contra a visão do terrível, do questionável, para permitir a luxúria da destruição, testemunhar a decomposição, a hediondez, o mal. Tudo isso o espírito dionisíaco pode fazer porque tem certo poder de se recobrar, como a própria natureza. Algumas destas expressões, preciso dizer-lhe, têm um forte tom germânico. Uma frase como “a luxúria da destruição”é positivamente wagneriana, e sei como você passou a desprezar toda aquela idiotice de Wagner, doentia e bombástica. Até agora, já vimos destruição suficiente para testar amplamente o poder do espírito dionisíaco; e onde estão os heróis que se recobraram dela? A natureza (ela mesma) e eu sozinho – nós dois juntos, nos Berkshire, e esta é minha chance para entender. Estou deitado numa rede, queixo sobre o peito, mãos cruzadas, mente embaralhada de pensamentos, agitado, sim, mas também alegre, e sei que você valoriza a alegria – a verdadeira alegria, e não a aparente sangüinidade dos epicurianos, nem a animação estratégica dos que têm corações partidos. Sei, também, que você pensa que o sofrimento profundo é enobrecedor, aquele sofrimento que queima lentamente, como madeira verde; sob este aspecto, estou, em parte, com você. Mas para esta educação mais alta, é necessária a sobrevivência. Precisamos sobreviver ao sofrimento. Herzog! Precisa parar de agredir e molestar os grandes homens! Não, na realidade Sr. Nietzsche, tenho grande admiração por você. Simpatia. Quer nos tornar capazes de viver com o nada, sem estarmos presos à boa índole e à confiança (considerações humanas ordinárias e comuns), mas questionarmos com dureza e determinação férrea, dentro do mal, através do mal, o mal passado, sem aceitarmos nenhum conforto objeto. As questões mais e mais penetrantes. Rejeitemos a humanidade como é: aquela ralé comum, prática, ladra, fedorenta estúpida, sem luzes; não só a ralé trabalhadora, mas até mesmo a turba “culta”, com seus livros, concertos, conferências, liberalismo, “amores” e “paixões” românticos e teatrais. Tudo isto merece morrer e morrerá. Está bem. Entretanto, os extremistas precisam sobreviver. Nada de sobrevivência, nada de “amor fati”. Os imoralistas também comem carne. Dirigem o ônibus – São somente os viajantes mais enjoados. A humanidade vive, principalmente, de acordo com idéias pervertidas. Pervertidas, suas idéias não são melhores que aquelas do Cristianismo , que você condena. Qualquer filósofo que queira manter contato com a humanidade, deve perverter seu próprio sistema previamente, para ver como ele realmente vai parecer algumas décadas após a adoção. Envio-lhe meus cumprimentos, destas paragens de ervosa luz temporal, e desejo-lhe felicidade, onde estiver.

Seu, sob o véu de Maya, Moisés E. Herzog.     

 

LEONARD COHEN

Outubro 17, 2007 por cachorromolhado

PÁRA RAIO

Outubro 4, 2007 por cachorromolhado

POR MENON 

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O carro parou em frente a um sobrado condenado. Ouvia-se ruídos guturais e um som que lembrava Frank Zappa. Vamos entrar, uns amigos da faculdade estão dando uma festa. A porta estava aberta e sob a luz amarela de 25 watts, uma tribo de cabeludos sujos, com copos plásticos na mão, discutiam algo parecido como a importância da universidade pública. Talvez o entra e sai fosse constante porque ninguém reparava na presença de estranhos. Na cozinha garrafas vazias de Velho Barreiro competiam espaço com garrafões de Sangue de Boi. Vômito na pia. Parecia uma mistura de macarrão com omelete. Duas estudantes se beijavam. A que estava sentada na mesa de ferro dava uma chave de pernas na outra. Uma cena linda, sutil e instigante. Na geladeira, nenhuma cerveja. Apenas meio limão seco e algo que provavelmente foi uma cebola num passado distante. Fui no vinho, metade do copo plástico já usado, com marcas de batom. E fui para sala. Seus amigos são muito bacanas. É, eu adoro eles, super gente boa. Sei. O som mudou para Caetano Veloso (putamerda) e tudo ficou mais calmo. O cheiro de erva tomou conta da casa. E após um silêncio repentino, como se todos tomassem fôlego ao mesmo tempo para emendar um pensamento, surgiu a doida. Eu sou um pára raio. Sim, eu sou um pára raio, gritava alucinada chamando a atenção. E conseguiu. Em escala progressiva, mais pára raios surgiam no ambiente. A festa virou uma comunidade de pára raios. Eu também sou um pára raio. É, eu também. Viva os pára raios. Viva o Deus dos pára raios. Começaram a se exaltar e o tempo começou a fechar. Alguns até imitavam o estrondo de um raio caindo sobre si. As mãos juntas, os braços levantados, com o rosto para cima, esperando com sinceridade ser abatido pela descarga elétrica. Vamos embora porque vai chover.

texto originalmente publicado no blog http://estorvo.wordpress.com

George Whitman

Outubro 3, 2007 por cachorromolhado

Proprietário da Shakespeare & CO 

KAFTA

Setembro 28, 2007 por cachorromolhado

 

A Kafta, ou cafta, um bolo de carne grelhado ou assado em formato de pênis, é um prato árabe muito apreciado ao redor do mundo. Diz a lenda que esse prato foi criado quando um rei ou sultão de um reino árabe mandou cortar o pau de seu caften, que era o predecessor  do eunuco, era o cara que tomava conta do harém,  que estava comendo várias de suas mulheres. Depois de ter o pau cortado, o caften foi enforcado. As mulheres do sultão, apaixonadas pelo caften (veja que da palavra caften originou o termo cafetão, até hoje utilizado em nosso vocabulário para designar o administrador de grupos de mulheres) e muito tristes com sua morte, criaram, então, a cafta, em homenagem ao incansável amante.

Ingredientes:

  • 1 kg de carne de boi (patinho) moída duas vezes
  • 2 cebolas médias bem picadas
  • 4 colheres (sopa) de salsa picada
  • 1colher de hortelã picada
  • sal a gosto
  • páprica a gosto
  • 2 colheres (sopa) de suco de limão
  • 2 colheres (chá) de pimenta-síria
  • 3 colheres (sopa) de azeite de oliva extra-virgem
 - Modo de Preparo:

     Numa tigela, junte todos os ingredientes e misture bem, até obter uma massa homogênea.
     Pegue pequenas porções de massa e forme bolinhos em formato fálico do tamanho que preferir.     Aqueça a grelha de ferro e asse os cacetes até ficarem dourados, virando-os durante o cozimento para ficarem assados por igual. Retire do fogo e sirva.

 - Rendimento: 8 Porções.

New Testament Cigarettes

Setembro 23, 2007 por cachorromolhado

Coisas do fundo da gaveta

Setembro 12, 2007 por cachorromolhado

Como dizem, blog é bom para botar as coisas que antes morriam no fundo da gaveta. Se meu blog não pode ter cheiro de mofo, pelo menos pode ter a presença desse bicho, que, em Londrina, repartia o quarto comigo. Embora eu  tenha visto um desses apenas uma vez em meu quarto, seus casulos se proliferavam numa rapidez absurda nos trilhos da cortina, debaixo das prateleiras, debaixo da cama e, principalmente, dentro do baú que ficava cabeceira de minha cama. Como a espécie que vivia em meu quarto parecia ter predileção por meias velhas e livros do Garcia Marquez, o prejuízo causado por elas não foi lá grande coisa. Nem mesmo a coleção de revistas que habitava o baú-maternidade foi comprometida, não pelas traças, que, pelo visto, preferiam a coleção de revistas Placar e cadernos de esportes de jornais velhos. As revistas do baú permaneceram intactas, salvo por alguma deterioração causada pela umidade de banhos quentes demorados.

MOCOTÓ

Setembro 12, 2007 por cachorromolhado

Bode Atolado

Porção de mini-torresmos

www.mocoto.com.br

COESISTA

Agosto 25, 2007 por cachorromolhado

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Agosto 24, 2007 por cachorromolhado

 

Se você é um dos pobre coitados que leêm este site, seus problemas acabaram. Desde de que comecei a jogar este jogo http://www.albinoblacksheep.com/games/bloxorz nunca mais escrevi nada.É mais divertido do que campo minado!!